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Capítulo I
— Pois eu vos digo, Augusto, que amais sem o saber, ou que haveis de amar ainda este ano! Foi assim, entre risos e apostas, que começou a história.
Augusto, o estudante de medicina, jurou que não amava ninguém — e que não amaria tão cedo. Os amigos riram, e a aposta ficou: se Augusto se apaixonasse naquela semana, confessaria, em público, a sua derrota.
A ilha de Paquetá o esperava, com suas praias, seus coqueiros e suas meninas de tranças — e com uma promessa de infância, guardada há doze anos, que ele já não lembrava.
Capítulo II
Foi na praia que a viu, sentada sobre as pedras, com os pés na água e o sol nos cabelos. Morena, pequenina, travessa — a Moreninha, como todos a chamavam na ilha.
Conversaram de tudo e de nada, como conversam os que acabaram de se conhecer e já se sentem antigos. Augusto, o homem que não amava, sentiu que a aposta começava a pesar.
«O senhor parece que sonha», disse ela, rindo. E ele, que sonhava mesmo, não teve coragem de negar.