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Capítulo I
Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta: era o que me desejava, e o seu abraço de despedida apertava-me o corpo como uma armadura.
O Ateneu era um colégio célebre, dirigido pelo dr. Aristarco, homem de palavra fácil e fama difícil. Os internos viviam sob a disciplina do sino, que media as horas, as refeições e as emoções.
Eu tinha onze anos, e levava na mala um coração apertado e uma curiosidade enorme — as duas coisas que, segundo diziam, se educam nos colégios.
Capítulo II
O primeiro dia foi de exame: das letras, dos costumes, das forças. O dr. Aristarco passeava entre as carteiras como um general entre suas tropas.
Aprendi cedo que no Ateneu as palavras tinham dois pesos: as ditas diante dos mestres e as verdadeiras. A vida de colégio, como a vida, era um sistema de superfícies.
E no meio de tudo, o amigo Franco, o companheiro de banco, a primeira das grandes amizades — e das primeiras grandes despedidas.