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Capítulo I
A fazenda de Antônio da Cruz era uma das mais antigas da região, e ali, entre as montanhas de Minas, cresciam juntos Eugênio, filho do dono, e Margarida, a filha da agregada.
Eram amigos como se fazem as amizades no sertão: sem cerimônia, sem medida, com o tempo inteiro pela frente. Corriam os campos, banhavam-se no ribeirão, contavam estrelas.
O padre da freguesia, que os via brincar, costumava dizer que Deus escrevia certo por linhas tortas — e aquele menino, dizia, tinha vocação para o altar.
Capítulo II
A promessa foi feita quando Eugênio tinha oito anos: se o menino sobrevivesse à doença, seria padre. E o menino sobreviveu — e a promessa ficou, como uma sombra que não se desfaz.
Margarida não entendia de promessas; entendia de saudade, e já a sentia antes da despedida. O seminário, para Eugênio, era uma porta que se abria para o mundo; para ela, uma porta que se fechava.
Partiu numa manhã de chuva, e a última imagem que levou foi a da menina acenando da porteira — imagem que o tempo, apesar de tudo, nunca apagou.